deslumbro-me de imenso

"Há qualquer coisa de longínquo em mim neste momento. Estou de fato à varanda da vida, mas não é bem desta vida. Sou todo eu uma vaga saudade, nem do passado, nem do futuro: sou uma saudade do presente, anônima, prolixa e incompreendida."
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa. (via oxigenio-dapalavra)

(via languageolderthanwords)

— 2 weeks ago with 833 notes
Pier Paolo Pasolini & Maria Callas de férias na Grécia - 1969

Pier Paolo Pasolini & Maria Callas de férias na Grécia - 1969

— 2 months ago with 2 notes
#pier paolo pasolini  #maria callas 
Rennie Ellis - Discover your clitoris, 1979

Rennie Ellis - Discover your clitoris, 1979

— 4 months ago
#rennie ellis  #photography 
Quando ela
tão incrivelmente linda
como você dizia
escrevia os poemas que escrevia
e eu entendo que não levássemos tão a sério os poemas que ela
tão incrivelmente linda
escrevia
sacando de dentro de uma bolsa ácida com pins coloridos e motivosop
os menores lápis de cor que vimos em toda a vida
para improvisar
a qualquer hora e sobre qualquer superfície
os poemas que ela escrevia
nós dizíamos que não havia mesmo nada ali
além do pitoresco
nada mesmo
ao menos para dois rapazes passados dos trinta
bebericando café entre desespero e risos explosivos
indo e vindo de países diversamente destruídos
e equilibrando entre os dedos
as moedas contadas
e o fim do amor
e com vontade contrárias e confusas
de deslocamento
e invisibilidade
mas refletidos no espelho de um mesmo café em Berkeley
e tendo sim provavelmente toda a razão
ao dizer que não havia mesmo nada ali
quando ela escrevia os poemas
sempre os mesmos
que ela escrevia com aqueles dedos que nos impressionavam
cheios de anéis de pedra bruta
e aqueles olhos
verde-rã
não havia nada ali
a não ser talvez um homem
sempre o mesmo
que reencontrava enfim uma garota
sempre a mesma
e dizia sou eu
e sempre uma revoada fantástica de flores repetia sim veja é ele
e no fim das contas uma
sempre a mesma
garota concordava sim sim é você mesmo e todos os seus colares
só para depois tornarem a se perder um do outro
como uma espécie de outra mágica revoada
subindo do chão da vida
e isso sim havia
em todos
em absolutamente todos os poemas dela
tão incrivelmente linda sim
e lá se vão doze
ou treze anos
e eu simplesmente nunca
os/a
consegui esquecer
Garota com xilofone e flores na Telegraph av. - Carlito Azevedo
— 5 months ago
#poesia 

Em que pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.


Nuno Júdice

— 5 months ago with 2 notes
Marcel Duchamp & Eve Babitz (1963), Julian Wasser

Marcel Duchamp & Eve Babitz (1963), Julian Wasser

— 6 months ago with 8 notes
#marcel duchamp 
Nickolas Muray - Frida with Picasso EarringsCoyoacán - 1939

Nickolas Muray - Frida with Picasso Earrings
Coyoacán - 1939

— 6 months ago with 11 notes
#frida kahlo